Pai espanca garoto de oito anos até a morte por considerá-lo afeminado

Publicado: 6 de março de 2014 em Histórias reais
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Alex e sua mae Digna Medeiros

Alex e sua mãe, Digna Medeiros | Reprodução/Reprodução

Alex gostava de dança do ventre e de lavar louça. Irritado com os trejeitos do garoto de oito anos, o pai o espancava diariamente, como uma forma de endireitá-lo. Ele tinha de ser um homem de verdade.

O dia 17 de fevereiro de 2014 marcou a última sessão de brutalidade. Depois de duas horas de tortura, o garoto foi levado ao posto de saúde e não havia mais nada a fazer. Estava morto.

Morto pela ignorância. Por um machismo construído ao longo dos anos. Por torcidas organizadas que lincham um jogador de futebol por sua sexualidade. Por pais que ensinam filhos a não chorar e muito menos a serem sensíveis. Por visões distorcidas sobre o mundo e sobre as pessoas.

Toda essa gente vai se chocar com a história do Alex. Vai dizer que foi exagero. Que não aceita, mas não concorda com a morte do garoto. E depois de alguns meses, ou até um pouco menos, essas mesmas pessoas vão afirmar categoricamente que nunca admitiriam ter um filho gay.

O corretivo pode não ser a morte. Haverá no lugar disso agressão moral, castigos, proibições. Muito filho exemplar vai virar marginal depois que os pais descobrirem a sexualidade. Não poderão sair de casa. Serão forçados aos tratamentos mais absurdos para serem treinados a ser homens (ou mulheres) heterossexuais.

Não está em discussão se Alex era mesmo gay ou não. Nem ele deveria saber disso. O fato de ele gostar de dança do ventre e de lavar louça não diz absolutamente nada. É mais uma visão sexista do que qualquer outra coisa. Os indícios de uma homossexualidade está na cabeça dos adultos. Uma cabeça alimentada por um senso comum enviesado e regado de um ódio descomunal aos gays.

Não há maior ou menor grau de preconceito. Há o preconceito e ponto. E é esse preconceito que mata, diretamente ou indiretamente. Antes que venha uma avalanche de sabichões do senso comum, já me adianto. Ninguém é obrigado a aceitar nada. Mas é importante questionar. Alguém acha aceitável uma criança morrer assim? Precisamos tentar entender o que levou o pai do garoto a fazer isso. E entender é aprender a respeitar. Vamos discutir a sexualidade em casa abertamente, ler sobre o assunto, ver filmes sobre a temática ou até entrar em uma associação de pais com filhos gays para tentar superar o preconceito.

É o exercício de descobrir aos poucos que esse é um sentimento genuíno, não uma opção. Aboliremos essa ideia de opção sexual. Chega dessa história. Se o seu filho é gay, não há como fugir disso. A não ser que você queira agir como o pai do Alex.

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comentários
  1. GI... disse:

    Concordo Amanda…li fiquei chocada com a materia no r7.
    Enfim até quando isso vai ser visto como punição???…eu tenho um filho de 4 anos…e jamais diria ”prefiro um filho morto do que um filho Gay”
    Prefiro um filho de carater,prefiro um filho honesto…quem ele amar ou se relacionar só tenho que respeitar.
    Assim como sou respeitada…e assim como minha mãe me respeita e respeita a minha mulher.
    Bjus AMANDA e bjus meninas.

  2. leandra disse:

    Fiquei chocada amanda pra mim esse homem nao era um pai e sim um monstro o que adiantaria ele bater no filho meu deus ele era apenas uma criança nem mesmo sabia sobre sua sexualidade n adianta querer mudar os filhos mesmo q ele fosse gay o pai deveria conversas com ele e n bater isso so nos mostra o quanto o brasil e machista e preconceituoso pois eu n aguento mais ligar a televisão e ver q homossexuais e negros sao vitimas de preconceito e isso chega ate a morte o brasil devia para com esse negocio de futebol e copa e repensar mais sobre isso racismo e homofobia e crime nao acham ?

  3. Dimitria disse:

    Confesso que não consegui ler a reportagem até o final, fiquei com ânsia 😦
    Até quando???

  4. Carol disse:

    Sinceramente, eu acompanho os telejornais por ter a consciência de que é necessário. Porém, fico estarrecida, angustiada e desgostosa por tantos atos insanos que presencio diariamente. Parecem sempre surgir uma sucessão, uma onda de crimes surreais, depravados!! Mas enfim, esta é a realidade na qual vivemos. Penso que ainda que essa hostilidade nos traga impactos, nós não deveríamos simplesmente nos surpreender, espantar e permitir que passe batido, seja lá por qual motivo. A intolerância contra os homossexuais assusta, parece não cessar. Mas nunca cessará DE FATO enquanto a luta não for ganha, e para que isso aconteça precisamos permanecer nos posicionando, reivindicando nossos direitos e não calarmos quando “outros casos Alex” vierem à tona… Assim que eu vi a reportagem na televisão eu quase chorei, meu coração doeu e veio à minha mente que aquele caso já não tinha jeito, infelizmente o Alex não mais voltaria… E senti uma revolta por tanta crueldade. Como vc6, eu também não consigo entender como um pai chega a este ponto, a essa falta de humanidade. Sei lá.. creio que a gente pode ir à luta sim. Não desistir agora! O Alex não volta mais, mas nós podemos somar de alguma forma para que outras pessoas não sofram nas mãos de outras, como exemplo, o pai do Alex. Vamos conquistar essa tolerância e sobretudo o respeito. Somente as leis não conseguem mudar os valores de cada pessoa. É preciso muito mais. É educação. É incentivo. É propiciar a essas pessoas preconceituosas o entendimento de que amor é amor. De que crenças não necessitam ser quebradas, apenas é preciso conhecimento do que de fato significa ser um homossexual, bissexual, transexual e respeitar. Meus familiares possuem crenças distintas. E posso dizer que entre uma e outra há uma certa dualidade, porém, nem por isso se confrontam, se prejudicam; existe o respeito, ainda que um não pratique a crença do outro. E bem que no quesito sexualidade, ou simplesmente formas de amar deveria se ter essa consciência de que não precisamos seguir os passos dos outros para resolvermos os problemas… Não! O único que se faz necessário é o respeito pelo estilo de vida que cada pessoa escolhe a seguir e constituir-se.

  5. Joana disse:

    Sem palavras. Completamente revoltante 😦

  6. la disse:

    Eu acho preconceito uma coisa tão sem noção …

  7. Felipe disse:

    Eu li essa notícia confesso que fiquei extremamente com ódio de um infeliz desse,que se diz ser Pai!E pior a omissão da família,vizinhos,inclusive a mãe que coitada e uma prisioneira do marido,desta sociedade machista.O machismo não abala só as mulheres,e tem algumas ainda que fortalecem quando criam seus filhos para serem macho ,os ” pegadores”, provedores,para serem insensíveis etc…A pressão da vida do homem também e grande para aqueles que não seguem o ideal masculino.

  8. Polly disse:

    Olá Amanda! Quanto tempo né querida?
    Bem,não preciso nem dizer o que penso dessa situação. Não conceituo isso de simplesmente machismo, mas de uma ignorância exacerbada e uma falta de amor. A falta de amor tá transformando o ser humano em verdadeiras bestas selvagens. As pessoas reagem agressivamente a tudo que se opõe aos seus conceitos,pq amam mais a si e seus conceitos do que ás pessoas. Esquecem do respeito e do amor.
    Tenho dois filhos, um casal, e já deixei isso bem claro na minha casa, que jamais darei as costas ou deixarei de amá-los por causa da sexualidade deles, pois sei que se eles não se enquadrarem no “padrão” já existirá gente demais para os odiá-los e rejeitá-los.
    Não sou ativista de nada, não apoio nenhum tipo de movimento ativista, nem mesmo os que parecem bem intencionados, pq infelizmente, por causa da natureza humana, o ativismo vem trazendo muito ódio, pq justamente se opõe a tudo que é contra seus conceitos. Acho que tudo poderia ser bem tolerado simplesmente se houvesse respeito e amor ao próximo. Mas nosso mundo só caminha cada dia para falta de amor, desrespeito, intolerância… o que causa sofrimento e morte, até mesmo de inocentes como essa criança, e infelizmente, como essa, muitas passam por tais brutalidades e perdem suas vidas, o que é motivo de grande tristeza e indignação para mim.
    Infelizmente só podemos lamentar, e tentar cada um plantar a semente da tolerância e amor nas pessoas, mas principalmente, tentar arrancar o que ainda há em nós de intolerante, para que essa história não possa se repetir.

    Grande abraço a todos!!

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