Os homossexuais e bissexuais homofóbicos

Publicado: 22 de janeiro de 2014 em Mundo LGBT
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ParadaGayBH2012_0099Odeio bicha afetada. Essa frase é repetida constantemente, sem nenhuma reflexão, por muitos gays e bissexuais. Eles também odeiam as lésbicas “caminhoneiras”, as garotas masculinas que dão pinta.

Essas pessoas afetam a nossa imagem, é o que muitos deles pensam. Pelo contrário. São essas pessoas que não têm medo de se expor e correm o risco de serem humilhadas todos os dias. Elas não têm medo de serem o que são e já desistiram de se preocupar com o que os outros pensam. Piadinhas maldosas? Podem se incomodar, mas superam. Medo de andar nas ruas? Eles não querem se esconder. E enquanto eles buscam ter mais espaço, os gays homofóbicos não querem “lutar” por acharem que esse embate não é deles.

“Os homossexuais não estão livres de serem homofóbicos, muito pelo contrário, eles carregam com naturalidade muitos preconceitos que acreditam tratar-se apenas de uma questão de opinião”, escreveu Vitor Angelo, blogueiro do Blogay, da Folha de S.Paulo.

Lutei muito contra esteriótipos. Na infância, meus coleguinhas não aliviaram. As roupas masculinas que eu usava nessa época foram alvo de discriminação. Eu era apenas uma criança que gostava de futebol, usava bermudão e preferia brincar com os garotos.

Mas eu não cresci assim por uma série de motivos. Fui proibida de brincar com os meninos do prédio, comecei a andar com as garotas do colégio e fui tentando me encaixar. Até hoje se eu coloco uma roupa “menos feminina” já fico preocupada. O que vão achar? Será que estou masculina?

Essa minha preocupação também não é um tipo de homofobia? Pelas roupas, eu transmitiria bem mais facilmente que gosto da mulher (apesar de que roupa pode também não dizer nada). E estou falando apenas de uma calça mais larguinha, o que, convenhamos, não é nada masculino. Mas é o que está na minha cabeça. São meus demônios, meus traumas, minhas crises internas.

Esses dias, uma leitora recomendou um vídeo bem interessante de um homem que explicava cientificamente a homossexualidade. Ele explicitou vários estudos para mostrar que ser homossexual ou bissexual não é uma escolha, mas algo natural dos animais e do ser humano. No decorrer do vídeo, no entanto, ele dava mostras de que não era gay. Era nítida a preocupação dele em reforçar que estava do “lado hetero”. Ele esclarecia ao mesmo tempo em que reforçava um preconceito.

Fazemos isso todos os dias, muitas vezes, sem perceber. É a nossa criação martelando na nossa cabeça. É a nossa necessidade de querer ser aceito de qualquer forma.

Aos poucos conseguiremos extirpar essas preconceitos absurdos que nos consomem. É muita terapia individual – e em grupo -, meus amigos.

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comentários
  1. Carol disse:

    Não vejo este ‘preconceito’ como puramente um préjulgamento, mas sim, como uma forma de minimizar ou tentar extirpar o próprio medo. Medo por parte de alguns que se dizem ‘assumidos’, e que, no entanto, hora ou outra se conflituam internamente.

  2. Carol disse:

    Sim… Amanda, eu gosto da tua sinceridade. E me identifico com as coisas que você fala. Cada postagem nova mexe comigo de alguma forma. E essa tua capacidade de assumir que, mesmo namorando uma outra mulher, tendo um Blog que trata sobre a bissexualidade e temas semelhantes, você também se conflitua internamente e admite ser difícil se assumir para determinados tipos de pessoas. E eu posso dizer que estou no mesmo dilema que ainda você se encontra. Apesar de eu não ter uma namorada, eu sei que passei a me atrair por algumas mulheres. Hoje eu sei que eu ficaria (em oculto) com uma mulher (e ainda que não seja a menina que eu gostei) e curtiria sim. E respondendo a tua pergunta, eu faço parte dessas pessoas que sabem que gostam, mas que ainda possuem barreiras a romper. Me considero novata nesse quesito. Há pouco eu não me aceitava… Me tornei ciente, porém não admitia sentir o que sentia. E o medo ainda existe sim. A necessidade de me autoafirmar heterossexual me perturba muitas vezes. Vou dizer algo. Quando estou assistindo TV com a minha mãe, por exemplo, e passa algo relacionado a homossexualidade, ela faz careta, resmunga rs, se indigna (ela é total contra), e eu vou na onda dela, porque eu tenho um problema… Depois dessa reviravolta na minha complicada vida eu passei a acreditar que as pessoas poderiam de algum modo desconfiar de mim, e quando a minha mãe fala sobre o assunto comigo, logo penso que ela desvendará o meu “segredo”. Então.. o que eu faço para tentar combater esse meu medo/receio é afirmar o que ela ou qualquer outra pessoa diz em contradição ao assunto. Vou de pouco a pouco tentando me reestruturar e não deixar que o meu medo me mate sempre. Porque é muito doloroso ter que concordar com algo somente para agradar os outros… E quando você põe a cabeça no travesseiro, tudo vem de maneira remota e te traz agonia.. Agonia por não querer sentir o que sente, mas não consegue desfazer os sentimentos. Agonia por se cansar de abaixar a cabeça e concordar com os outros para não se machucar mais. Agonia por ter vontade de viver, experimentar, mas haver tantas impossibilidades ao derredor e que parecem dizer: “é melhor desistir.. nem comece.”. Agonia por se sentir acuada, num beco sem saída, sem rumo. E por último, agonia po pensar que sua vida sempre será assim… nessas oscilações, nessas negações VS as vontades de se jogar de cabeça e querer apenas contar com a sorte.
    Portanto, eu ajo como todos que querem, têm essa consciência, mas que o medo ainda dita as regras e, consequentemente, faz como todos os outros. “É intolerante”.
    Medo, vilão que nos priva a sonhar e viver com quem queremos.

    • blogsoubi disse:

      Carol, seus comentários são sempre muito ricos! Obrigada por isso. Adoro ler comentários com conteúdo. Nossa, agir assim é difícil mesmo…Você já pensou em começar a falar coisas positivas sobre o assunto? Você teria muito medo de começar a fazer isso? Acho que é um começo, apesar de ser difícil deixar as palavras saírem. É quase como uma trava, né? Dá até um nervoso só de falar sobre o assunto, aquela tremedeira interna. Quanto mais você consegue falar sobre o assunto, mais esse nervoso diminui..começa a ficar mais natural. Você já falou com alguém sobre isso? Abs!!!

      • Carol disse:

        Obrigada, flor! Mas eu que te sou grata, porque quando eu encontrei o Blog, eu já estava para lá de barata tonta…
        Enfim… Eu tenho sim muita dificuldade ao falar sobre o assunto.. Confesso! Digo que me encontro um pouco mais aliviada devido o fato de eu ter conseguido me abrir com a minha irmã… Eu já não aguentava mais guardar isso só para mim, eu já estava sufocada.. Outra pessoa que está ciente sobre mim é a menina. E ninguém mais. Algumas vezes, em conversas casuais eu ficava inquieta, com as palavras já na ponta da língua, prontas a serem liberadas, mas… Sempre travava na hora H! Como eu disse no comentário anterior, eu sempre sempre acreditei que as pessoas me olhariam torto rsrs Meio que me amedrontei. No entanto, eu bem sei que será preciso o fazer.. Necessário apoiar.. Dizer aos poucos o que eu penso e quem sabe o que eu quero.

      • blogsoubi disse:

        É isso aí, Carol. É um processo e acredito que conseguiremos passar por ele da melhor forma. 🙂

    • jnnpsouza@gmail.com disse:

      Ola sempre vejo seus resposta no post do site vamos conversa fazer amizade?

  3. Dany disse:

    No começo acho que meus pais não acreditavam muito que eu curtisse gurias pq eu realmente me envolvia com meninos e por eu ser feminina (eles deviam achar que as masculinas tem mais a ver com isso) .,..mas sabe, quando aconteceu a primeira paixão por uma menina, foi tudo tão natural, que quando eu sofria por não estar com ela, eu acabei falando o que sentia, mesmo que por metáforas….até que vieram outras paixões, outros conflitos…. e hoje me dia, assisto the L word mesmo quando minha mãe está na sala, mesmo sentindo uma ponta de constrangimento, eu não deixo de ver o que quero por causa de ninguém!! Só no face as vezes evito compartilhar certas coisas na minha linha do tempo por causa de alguns contatos heteros. Sobre a última menina que gostei, não fiz questão de esconder de ninguém, pq teve toda uma historia em volta disso….. e por email falei algumas coisas pra minha mãe. Pra mim é mais fácil mexer no assunto por email, e fiz o mesmo com meu pai.

  4. Luly disse:

    Amanda querida, sempre me surpreendendo. Ler o que você escreve me acalma. Às vezes me sinto mal por pensar que certas coisas poderiam ser diferentes. Sempre fui diferente, mas não entendia os motivos, até ir morar sozinha. Passei alguns anos morando em Brasília, e comecei a entender o que se passava. A atração, o nervosismo, a paixão… Mas eu neguei. Me escondi e me forcei a acreditar que dependia de mim. Que eu estava no controle e podia decidir que rumo dar a minha vida. Cheguei ao absurdo de me casar com um homem pra me convencer que eu podia escolher. Hoje…bem eu ainda tento me acostumar com certas coisas e perder o medo. Não minto mais pra mim mesma, minha família não entende, mas não me incomoda. Acham que é “modinha”, logo passa! Não falo abertamente com minha tia (com quem moro) sobre o assunto, sei que ela é contra, prefiro não confrontá-la. Quantos aos de fora, eu não sinto mais nenhuma necessidade de esconder. Algumas pessoas fingem não ver, só pode! Sou lésbica dos pés a cabeça… Um dias desses, estava numa festa e uma garota “chegou em mim”. Sabe como é né… parei de respirar. rsrsrsrs Mas sabe qual foi a melhor sensação da minha vida? Ela me perguntou no começo da conversa se era lésbica(até parece que ela não sabia), e eu disse SIM… Nossa foi LIBERTADOR.
    EU SOU LÉSBICA! CADA VEZ QUE DIGO ISTO ME SINTO MUITO MELHOR! Obrigada querida, você consegue alegra o meu dia! Abraços
    Ah, Carol, não se preocupa flor, um dia a gente chega lá. Força!!! Beijo

  5. leandra disse:

    Sou bissexual mas me considero mas lesbica doq bi .E eu sempre fui muito tolerante ,nao tehho nenhum tipo de preconceito pois sofro preconceto ,acho q ja passou da hora de acabar com isso .Nao importa se vc e lesbica e ama uma mulher ou e gay e ama um homem ou e bi.Pois O AMOR NAO E AQUILO Q QUEREMOS SENTIR E SIM OQ SENTIMOS SEM QUERE

    • Dany disse:

      “Sou bissexual mas me considero mas lesbica doq bi ” Essa frase me descreve!! E paixão e amor realmente não acontecem quando “se quer”, acontece espontaneamente. sem querer, sem planejamentos, por isso nos pega de surpresa e também não escolhemos de quem vamos gostar, por isso acho um tanto imprudente e no minimo insensivel dizer que fizemos “escolhas erradas” quando esse amor ou paixão não são correspondidos, ou vc até fica com a pessoa, mas não dá certo o relacionamento. As pessoas mudam, no inicio do namoro são e esperam uma coisa, mas no final querem outra. Por isso as vezes não dá certo e fica impossivel dar continuidade. Ou pq escondem quem de fato são, e quando a máscara cai, o relacionamento “cai” junto !

  6. Rui disse:

    Ouço pessoas dizendo que hoje em dia todo mundo é gay, mas não percebo isso não.Onde trabalho há varias lesbicas, assumidas, porem nenhum gay, os homens são casados ou namoram mulher.Na academia, há uma lesbica assumida e uma bissexual assumida, porem os homens são todos hetero, ou são casados ou ficam falando de suas namoradas. Na escola de desenho, há lesbicas assumidas, inclusive duas bem lindinhas que ficam se beijando apaixonadamente, mas os rapazes são hetero, não há nenhum gay assumido, todos os rapazes tem namoradas ( e ainda dizem maldosamente que escola de artes plásticas so tem viado).Enfim, eu realmente não sei onde estão todos os gays que tanto falam! Alguem sabe onde eles se escondem?

  7. Rui disse:

    Eu mesmo vou responder a pergunta que fiz: Estao todos escondidos em Narnia, e há nada que os faça sair de la!

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