Como se sentir melhor com a bissexualidade

Publicado: 25 de agosto de 2013 em Bissexualidade feminina, Bissexualidade masculina
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sentir-bem-consigo-mesmoDepois de quase três anos com uma mulher ainda me sinto desconfortável com minha sexualidade em algumas situações.

Acho incrível quem lida com isso tranquilamente. Leio e ouço pessoas falando sobre o assunto com uma naturalidade impressionante, aparentemente sem crise alguma, como se o preconceito fosse algo do século passado.

Mas o preconceito está aí. Na família, no trabalho, nas fofocas de bar e no nosso grupo de amigos. Algumas pessoas fingem que não o sentem, mas no fundo, muita gente ainda não sabe lidar bem com esse tema. Talvez porque não entendam ou porque já sentiram atração por alguém do mesmo sexo e preferiram reprimir. Ou ainda, porque seguem alguma linha de pensamento moldada por um grupo social (ou religioso).

Então quem tenta se liberar fica um pouco confuso com tantas vozes dissonantes. Um bom exemplo é a cantora Preta Gil. Ela assumiu a bissexualidade e um tempo depois disse ter se arrependido por isso. Imagino que ela tenha sofrido muito preconceito. Nos bastidores do programa Encontro com Fátima Bernardes ela disse que fica confusa sobre ter se aberto. “Tem vezes em que eu me arrependo de ter falado isso; outras horas eu me arrependo de ter dito que me arrependi”, contou à equipe do programa, segundo o site oficial.

Dificilmente algum homossexual ou bissexual não se sentiu desconfortável em algum momento. Quando estou no trabalho ou em algum outro ambiente em que o assunto é tratado, muitas vezes, com chacota ou brincadeiras “inocentes”, me sinto um pouco mal – apesar de poucos no trabalho saberem sobre meu relacionamento com uma mulher.

Mas esse desconforto acaba diminuindo quando você procura estar rodeado de pessoas que já venceram a barreira do preconceito. Quando estou entre amigos que me apoiam e veem a bissexualidade como algo completamente natural, me sinto muito melhor.

Quando penso que muitas pessoas deixam de viver os verdadeiros sentimentos para continuar vivendo uma mentira, também me sinto melhor. E quando descubro que a maioria dos casais finge que está tudo bem, quando, na verdade, o relacionamento está em crise, vejo que boa parte das pessoas gosta mais de falar do que ser feliz.

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comentários
  1. Marisa disse:

    Quem ja viu algum comentário meu, nesse blog que estou aprendendo a amar, alguns até contudentes, pode pensar que sou uma pessoa totalmente resolvida em relação a minha bissexualidade. Pode parecer, mas nem sempre é e vou tentar expor o porque.
    Me incomoda profundamente não só os comentários discriminatórios, vindos da imprensa, de colegas ou de qualquer fonte, pois nem sempre posso rebater com a sinceridade que eu gostaria, porque em verdade creio que a maioria das pessoas com uma sexualidade diferente são passiveis de discriminação, e não me sinto diferente.
    Nunca fui de carregar bandeiras e pouquissimas pessoas do meu circulo social e familiar sabem que sou ambigua em relação a sexo, pois para algumas não disse por achar desnecessário e para outras é mais conveniente para mim, que eu não me revele.
    Nunca me chateei e aprendi a não me magoar com minha opção, depois que amadureci como pessoa, muito pelo contrário e vou ser muito sincera, me sinto privilegiada por poder usufruir o melhor de dois mundos, coisa que faço sem nenhum drama de consciencia.
    Tenho uma relação hetero estavel (sou casada e ele sabe que sou bi) e uma relação homossexual com uma mulher tambem casada (o marido dela nunca soube que ela é bi), faz 5 anos, e ambas me trazem bastante satisfação em todos os aspectos.
    Tenho uma irmã que sabe que sou bi (acho que ela é tambem, mas nunca admitiu) e uma cunhada que é bi tambem, com quem inclusive ja tive um “affair”. São esses os familiares que sabem de minha opção e aparentemente nunca senti qualquer rejeição de nenhum deles.
    O ser humano sempre sentiu muita necessidade de ser aceito em seu grupo social e talvez dai venha a insatisfação de não podermos ser verdadeiros e naturais, como deveriamos ser, mas de qualquer modo vou vivendo como a vida é, seguindo aquela velha frase de um samba: “Faça como um velho marinheiro, que durante o nevoeiro leva o barco devagar”.

    • Kaylaine disse:

      Marisa… Amei seu comentário, realmente passa ser uma pessoa muito bem resolvida, e feliz … não sei se entendi certo, mas Viver a vida, e tudo oque te faça Feliz é oque vale…

      • Marisa disse:

        Embora a vida não seja tão doce, quanto gostariamos, procuro viver um dia de cada vez e não dar muita bola para a torcida, mas creio que respeito se conquista e não vale a pena mesmo ficar dando a cara para bater, porisso que penso que não é necessário ficar se expondo de maneira impositiva, se resguardando de eventuais magoas que as pessoas teimam em infringir as outras.
        Só devo satisfação da minha sexualidade a duas pessoas, que são meu marido e minha “namorada-amante”, que me completam e me entendem. O resto……bem…..o resto é só o resto!

  2. Luana disse:

    Como sempre um post interessante 🙂
    Olha eu como já sabe, ja contei aos meus amigos proximos que sou bi e a umas primas, o resto das pessoas não sabem.
    Acho que sou bem tranquila masss é claro que as x ha coisas que incomodam. Detesto quando ouço algum comentário discriminatório, odeio mesmo.

    • Marisa disse:

      Ja me senti assim como voce em algumas situaçoes até mais explicitas e por isso mesmo procuro adotar uma postura mais reservada para evitar constrangimentos e maledicencias alheias. Tenho um problemão, pois minha namorida, alem de não ser assumida é casada e o marido não sabe e isso nos obriga a sermos muito vigilantes, mas estamos muito felizes e não são coisas assim que vão abalar o amor que sentimos uma pela outra.

      • blogsoubi disse:

        Marisa, interessante sua história. Pode contar mais a respeito? Você ama um homem e uma mulher? O que ambos acham disso? Você já teve uma relação a três com os dois? Se fosse preciso escolher um deles, quem seria e por quais motivos? Abs e obrigada mais uma vez pelos comentários.

  3. Marisa disse:

    Embora eu acredite que certas coisas são mais interessantes quando se mantem algum mistério, vou tentar na medida do possivel, responder a sua curiosidade e espero que em algum momento voce esteja disposta a revelar mais de voce tambem e até sugiro que voce poste alguma coisa que por exemplo pode ser um questionário para as frequentadoras do blog, iniciando por voce, mas vamos lá.
    Para cada um a sua maneira eu posso afirmar, sem medo de errar, que amo muito tanto ao meu marido como a minha namorada. Amo muito os dois.
    Casei-me, ja depois dos 30 (não tenho filhos) e ele já sabia da minha sexualidade, desde o namoro, pois o conheci numa casa aqui em SP, frequentada por um público GLS, especialmente por meninas bi e homo e ele estava lá com duas amigas. Ele sempre aceitou e soube desde o primeiro momento meu envolvimento com essa namorada. Em relação a ela, a conheci próximo do local de um antigo emprego e ela sabia que eu era casada e nunca me fez cobranças , nem eu a ela.
    Ja tive relaçoes a tres envolvendo ele e outra pessoa (foram 4 vezes), mas minha namorada nunca esteve nisso e pactuamos que isso não deverá acontecer, não por algum motivo, mas porque não é isso que buscamos.
    Nunca passou pela minha cabeça, ter de fazer uma escolha entre os dois, até porque tudo que envolve minha relação seja com ele ou com ela, ocorre de maneira diferenciada e muito impar, por isso eu não estou preparada para responder esta questão, mas de qualquer maneira a minha outra metade( a namorada) tambem se sente bastante satisfeita (assim como eu) com a atual situação e enquanto isso perdurar, não há motivos para pensar em algo que talvez nunca venha a acontecer. Como eu já disse em algum comentário……..”Um dia de cada vez……..e vamos vivendo”.

    • blogsoubi disse:

      Marisa, obrigada por responder. Muito interessante sua história. Vi poucos casos assim, por enquanto. Fico feliz por você conviver com isso tranquilamente. Sempre foi assim? Ou rolou alguma “crise” inicialmente? Sobre falar mais sobre mim, não há problema nenhum também. Costumo sempre contar um pouco da minha história nos posts. O que você acha que eu poderia falar? O que você gostaria de saber? Abs!!

    • Kaylaine disse:

      Marisa,… Simplesmente amei sua história,tenho 23 anos, e somente agora estou me descobrindo Bi.. fui casada com um Homem, e atualmente fico com uma mulher… e sinto atração tanto por homens quanto por mulheres, e poderia viver uma história tranquilamente como a sua… porque acredito que tudo que tem como base a verdade, o dialogo é sempre muito bem sucedido…. adoraria poder conversar com vc… bjos….

      • Marisa disse:

        Muito satisfeita em poder te ajudar de alguma forma, embora eu acredite que cada história é uma história, mas mesmo assim voce com certeza tendo uma postura verdadeira consigo mesma principalmente, pode sim ter uma vida completa, pelo menos no que diz respeito a sua vida afetiva.
        Não sei se a moderação, vai permitir……..mas se quiser, me escreva, para podermos conversar mais…….mmstan@pop.com.br

  4. Marisa disse:

    Desde que comecei minha vida minha vida sexual e amorosa, talvez por volta dos 15 anos, me interessei tanto por meninos quanto por meninas, e é óbvio que numa cabeça adolescente isso causa um pouco de medo e confusão, mas por circunstancias fora de meu controle, até os 23 anos nunca tive uma relação mais profunda com ninguem e talvez isso tenha ajudado a que eu tivesse formado opinioes próprias sem influencia externa. Que eu me lembre, fora as duvidas normais, nunca passei por alguma crise existencial, ou algo assim.
    Quanto a minha curiosidade sobre voce é que, já que voce se assume bissexual, já rolou de estando com sua atual namorada, agregarem em algum momento uma companhia masculina? Voce sai com algum homem atualmente? Sua namorada sai? Em caso de resposta negativa e ai vai uma questão de definição, voce ainda se considera bissexual?

  5. Marisa disse:

    A nossa querida blogueira me instigou a responder algumas coisas, e ingenuamente eu atendi a solicitação, e fiquei bem decepcionada pela resposta que está exatamente acima, pois creio que seria muito mais elegante que ela respondesse diretamente ao invés de colocar num post, pois isso será de maneira genérica e do mesmo modo que fiz caberiam respostas diretas e não em um post, muito embora antes eu tivesse sugerido um post, mas isso não impediria que ela respondesse de maneira direta e objetiva, pois as perguntas foram em relação a sua “vida pessoal”. Vamos aguardar o tal post.

  6. Rui disse:

    Eu gostaria de saber da Marisa o seguinte: Se seu marido fosse bissexual você aceitaria? E se ele quisesse ter um namorado?( assim como você tem uma namorada)

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