Ser “certinho” é ser heterossexual?

Publicado: 4 de agosto de 2013 em Mundo LGBT
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sofrimento“Não vou contar aos meus pais sobre minha sexualidade, porque eles vão ficar decepcionados”. Essa frase é muito comum entre os homo e os bissexuais. Quantas pessoas já me disseram que vivem escondidas “no armário” para agradar a família e os amigos? Será que realmente somos essa “minoria” que todo mundo fala?

Uma lésbica vivia me dizendo: “queria tanto gostar de homens, seria tão mais fácil, mas não consigo”. Ela sofria por isso, sofria muito. O sonho dela era fazer parte do “padrão social”. Casar, ter filhos, mostrar a aliança pra todo mundo e não ficar escondendo que gosta de alguém do mesmo sexo.

O capítulo da última quinta-feira (01/08) da novela global Amor à Vida refletiu sobre essas questões de forma muito interessante. O protagonista Félix, interpretado por Mateus Solano, viveu com uma mulher por anos apenas para agradar os pais. Ele traía a esposa com homens e, obviamente, a fez sofrer quando ela descobriu do que o marido realmente gostava. O mais triste é que o personagem fez tudo isso apenas para agradar a família. É importante uma novela com tamanha repercussão mostrar situações como essas. Quem sabe os pais “tradicionais” sentados no sofá comecem a mudar suas atitudes?

Muitos leitores me mandam e-mails desabafando. Dizem que os pais pedem para não comentar que gostam de alguém do mesmo sexo para o restante da família. Ou os impedem de beijar em público, como se isso fosse motivo de vergonha. “Ninguém pode ver você fazendo essas coisas”, dizem os pais. Como se “essas coisas” fossem algo errado.

Acredito que muitos desses pais querem que os filhos sejam do jeitinho que “sempre sonharam”. Quer um desejo mais egoísta que esse?

Então muita gente vai me dizer: é preciso respeitar, eles nasceram em outra época, é difícil para eles aceitar “esse tipo de coisa”.

Não, não é difícil para eles. É difícil para quem está se escondendo e deixando de ser feliz para respeitar o “desejo” dos outros. Quem realmente deve ser respeitado nessa história?

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comentários
  1. mariza disse:

    Não entendo realmente o dilema existencial de pessoas, ao assumirem sua sexualidade, pois a meu ver a própria palavra define, ou seja, é o exercicio do bom e prazeiroso sexo e isso não precisa de publicidade. O que se faz entre quatro paredes é seu e da pessoa envolvida com voce, tenha ela o sexo que tiver.
    Penso que toda polemica envolvendo bissexualidade ou homossexualidade, é tão sómente toda a pressão que sempre foi exercida em relação ao exercicio da sexualidade desde que o mundo é mundo.
    A repressão em relação ao sexo existe para qualquer genero e é reprimida até com cadeia ou pena de morte em alguns paises, e nem precisa a pessoa assumir uma opção sexual considerada diferente.
    O tabú está mais na cabeça das pessoas e isso traz sofrimento. Devemos exercer nossa sexualidade conforme o que desejamos e para isso não precisa assumir nada e nem ficar se martirizando, pois o sexo é para obter prazer e nada mais. Não romantizem demais e nem esperem que uma noite de sexo vire uma história de vida a dois. Menos sonho e mais realidade fazem muito bem!

    • Dany disse:

      Explique isso a Igreja Católica que insiste em persistir no discurso radical e retórico de “familia tradicional” q ao meu ver já não existe esse tipo de respeito e tradição há muito tempo, mas eles insistem em fechar os olhos pra isso, em prol dos proprios interesses.

    • Dri disse:

      É…eu nunca assumi pra ninguém da minha família minha bissexualidade. Eu acabei me casando com um homem e aí isso ficou pra traz. Mais as vezes penso “sera que minha família me amaria tanto se soubesse?” Eu concordo com a Mariza, tem que relaxar, mais a pressão que a sociedade exerce sobre as pessoas é muito grande, e ninguém quer ser rejeitado…isso esta na natureza do ser humano.

    • T. disse:

      Concordo com você, Mariza. Se os héteros não precisam assumir que são héteros, por que a gente deveria?

  2. Dany disse:

    *seria discurso pseudo moralista

  3. duzin266 disse:

    Me ajuda eu nao sei a quem recorrer
    Eu tenho 12 anos me chamo eduardo correa
    Meu pai e minha mae sao cristaes fanaticos meu irmao é homofobico e toda minha familia nao aceita bisexualidade e quando toquei no assunto disseram que preferem nao ter filho a ter um filho bissexual e eu nao sei como falar pra eles eu ja fiquei com meninos e com meninos e gostei dos dois mas minha familia vai me negar por isso . so minha amiga thayna sabe disso e sempre me apoiou sem preconceito mas sera que eu falo pros meus pais ou fico pra mim isso ??

    • blogsoubi disse:

      Eduardo, realmente a sua situação é bem complicada. Acho que você deve falar quando ficar mais velho e puder lidar com isso da melhor forma. Acredito que hoje eles não vão entender e também podem julgar que você não tem maturidade para saber o que realmente quer. Se eles descobrirem, diga que se sente feliz assim e que se eles realmente te amam, vão te respeitar. Espero que logo eles mudem de ideia sobre esse assunto. É difícil mostrar para os pais que eles só prejudicam os filhos fazendo isso. Alguém passou pela mesma situação do Eduardo? Se quiser compartilhar, acho que pode ajudá-lo também.

  4. Lili disse:

    no meu caso, quando contei aos meus pais, eles não me reprimiram e até foram solidários, mas como eu já estava namorando um homem há tempo, talvez eles tenham encarado minha confissão mais como um desabafo, uma “fase”. por isso, acredito que eles me enxerguem como heterossexual até hoje. sinto que esse é um dilema dos bissexuais, se estamos com alguém do sexo oposto, somos vistos como heteros “normais”, se estamos com alguém do mesmo sexo, somos vistos como gays e pronto. difícil encontrar quem entenda que bissexualidade não é fase ou indecisão.

    • Dri disse:

      Nossa Lili como isso é irritante…as pessoas não entendem que não gostamos de rótulos. Somos o que somos e pronto!

    • Dany disse:

      Mas é melhor ser vista como gay ( ou mesmo bissexual q é o correto) do que ser vista como uma “hetero mal resolvida” que “virou casaca” por alguma suposta mazela causada pelos homens heteros ¬¬”

  5. Lully disse:

    “queria tanto gostar de homens, seria tão mais fácil…” Será??? Será que se eu gostasse de um homem seria realmente mais fácil? Mas o que seria mais fácil? Minha vida? Minhas escolhas? Certamente meu mundo seria cor-de-rosa, eu seria uma esposa perfeita, uma mãe perfeita? Duvido muito, sinceramente não acho que “com quem eu durmo” possa dizer quem sou. Por que dar tanta importância a intimidade das pessoas. Afinal esta não é uma das coisas que deveriam ser íntimas. Quando eu disse a minha Tia/Mãe que eu não poderia mais continuar casada com um homem ela reagiu como se fosse “mais uma fase da rebeldia da juventude”. É, eu me casei, “segui o “protocolo”, e o que descobri, com tudo isso? Nada pode mudar a natureza de uma ser humano. Apenas tornei meu caminho mais doloroso. “Queria muito poder gostar do eu consigo, posso e sei gostar”! Beijos

  6. Lully disse:

    Todo relacionamento, independente de sua natureza, é muito difícil. Afinal, são dois seres completamente diferentes tentando ser um único ser. Claro que é possível, mas fácil, nunca.

  7. Darlly disse:

    tenho medo da reação da minha família quando souberem que sou bissexual, não consigo mais esconder, estou cansando de viver só pra agradar os outros.

  8. Marisa disse:

    Algumas pessoas aqui colocam a questão da bissexualidade em relação ao hipotético “direito” de amar, no sentido amplo da palavra, pessoas dos dois sexos e ai fica para mim a pergunta: Heteros os gays tem o “direito” de amar duas pessoas ao mesmo tempo? A sociedade lhes permite e aceita isso?
    Para mim, bissexualidade diz respeito estritamente ao exercicio da sexualidade, sem envolver sentimento, pois a partir do momento que alguem opta por um dos sexos, seja homem ou mulher, passa a ser incluido(a), no genero hetero ou homossexual.
    Posso estar equivocada ou mal informada, mas bissexual para mim, é quem consegue “navegar” entre os dois sexos, extraindo para si o melhor que podem oferecer, sem preocupar-se necessariamente em envolver-se emocionalmente.
    A própria blogueira, que já declarou que está em um relacionamento estavel com uma mulher, no meu modo de entender não pode classificar-se como bissexual, pois não se permite flutuar sexualmente com homens, e isso a coloca como homossexual.
    Imaginemos a seguinte situação: Um homem casado com outro homem, mas que de maneira eventual tem relação sexual com uma ou mais mulheres.Qual é o genero dele? Resposta óbvia é bissexual,diferente de uma pessoa que teve em uma parte da vida relação com os dois sexos, mas que optou por um deles (caso da blogueira) e no caso dela, o “rótulo”, é homossexual, e seria hetero se ela tivesse optado por relação estavel com um homem, pois pelo que entendi ela não se permite (pelo menos no momento), ter relaçoes com homens.
    Conclusão disso tudo que escrevi é que bissexualidade não é exercida nunca como ato humano de envolvimento sentimental, e sim sexual, pois é mais que provado que uma pessoa verdadeiramente não tem a capacidade plena de amar integralmente duas ou mais pessoas…….não confundam com amor fraternal.
    Bissexualidade implica em exercicio de sexualidade, e nada mais!

    • Dany disse:

      DIscordo de sua postura, pois se tivesse lido os primeiros topicos da autora, vc veria que ela dizque não pode anular o que viveu EMOCIONALMENTE com um homem , e no momento, ela vive uma relação AMOROSA com uma mulher, isso faz dela bissexual sim. O fat ode ela não querer se envolver com homens implica em estar satisfeita com a companheira em todos o sentidos, do contrario, se ela se considera bissexual , significa que poderia sim, voltar a se envolver tanto sexual como emocionalmente com homens. Se vc é bi, não tem is o de “tô namorando homem, agora sou hetero” , “tô com mulher, agora sou lésbica” , isso se vc considerar que, se estivesse livre , poderia voltar a se envolver com alguem do outro sexo. Vc não pode determinar a verdade do sentimentos dela segundo suas convicções, quem tem o direito de se definir é somente ela. Ser bi implica sim em envolvimento sentimental, e há sim, pessoas q são capazes de gostar de duas pessoas ao mesmo tempo, embora me intensidades e sentimentos diferentes.

      Curioso, vc dá suas opiniões, mas não diz em qual sexualidade vc se encaixa.

      • marisa disse:

        Com certeza voce não leu todos os comentários que já ´postei, pois me identiquei como bissexual, pois sou casada em uma relação hetero, mas tenho relacionamento sexual com mulheres tambem.
        Já me envolvi (antes de casar), de maneira emotiva e sentimental com mulheres, e me considerava lésbica, porem a relação mais forte que me envolveu, foi essa que vivo (com homem) e já faz alguns anos que me considero bissexual.

  9. Lélis Martins disse:

    Penso que a sexualidade está sempre ligada ao desejo, o qual, por sua vez, pode vir a consumar-se, ou não. Um pessoa pode fazer voto de celibato, como os padres e servidores de algumas outras religiões, mas seguir por toda a vida sentindo o desejo, seja por alguém do sexo oposto ou por alguém do mesmo gênero, sem, contudo, pôr em ação esse desejo, ou seja, sem nunca chegar a consumá-lo por questões de imperativo de consciência. Mas o desejo existe, ele esta lá. Então, nos poucos rótulos atuais que dispomos, uma pessoa pode ser bissexual porque tem desejo sexual e/ou sexo-afetivo tanto por homens tanto quanto por mulheres. Em certa altura da vida, alguém com esse tipo de desejo escolher viver uma vida monogâmica com um único gênero, apenas representa uma escolha, provavelmente alimentada pela admiração, identificação, amor, amizade e, como não, pelo desejo. Se essa escolha finda, outra história poderá ser vivida com outra pessoa de sexo distinto da anterior. Ambas de forma muito romântica e muito excitante. Fechar a idéia da bissexualidade apenas e exclusivamente como prática sexual, pode abstraí-la de seus significados mais libertários e mais naturais no ser humano. “Nosso desejo não tem lei”.

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