Daniela Mercury tem quase 50 anos, é mais fácil se assumir?

Publicado: 4 de abril de 2013 em Bissexualidade feminina, Mundo LGBT
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Daniela MercuryConversando sobre o fato de a Daniela Mercury ter assumido um relacionamento com uma mulher, uma amiga me disse: “A Daniela tem quase 50 anos e só assumiu agora. Com certeza não tira o mérito, mas acho que, na idade dela, com a maturidade, tudo é mais fácil”.

Ainda não tenho 47 anos como Daniela (ainda faltam 20, risos), mas acredito que a idade não facilita. E por que não? Elas viveram em uma época em que era muito mais difícil falar sobre o assunto. Conheço lésbicas de 60 anos que dizem pra mim  “Acho um absurdo essas adolescentes se agarrando no metrô. Não podem se expor assim”. Isso porque elas sempre viveram “escondidas”, sempre tiveram de ser muito “discretas”. Os pais, os avós delas também tinham uma outra cabeça. Convenhamos, por mais que ainda existam famílias ignorantes, é muito mais fácil se assumir gay ou bissexual hoje do que há 20, 30 anos.

Houve uma mudança de mentalidade e é muito mais fácil para o jovem vivê-la, pois ele já nasceu com “outra cabeça”.  O casamento gay foi aprovado em algumas regiões no mundo (inclusive no Brasil). Hoje o preconceito é mais velado, as pessoas têm até vergonha de demonstrá-lo em determinados locais. Assim como o racismo. Quem é preconceituoso hoje é visto com “maus olhos” por muitos.

Outros indicadores que também impossibilitariam Daniela (e outras mulheres da idade dela) de assumirem um relacionamento homossexual são os filhos, um casamento “sólido com um homem”, uma família mais tradicional. Imagina uma mulher de 50 anos falar para os seus filhos que está namorando com outra mulher? Não é fácil. E eis o mérito de Daniela. Não sei qual a relação dela com o ex-marido e a família, mas de certa forma ela os “enfrentou” para viver esse amor e de quebra ainda lidou com as fofocas de todo um país.

Tenho leitoras com a idade de Daniela que já estão há anos lidando com essa questão. Elas são casadas com homens, têm filhos e não têm coragem para viver um grande amor com uma mulher. Elas têm “muito a perder”. Porque querendo ou não é um “risco”. Muitas delas nunca nem experimentaram um beijo lésbico (não sei se é o caso de Daniela, talvez não). E se de repente elas largam tudo e percebem que não era o que elas imaginavam? E se elas de repente percebem que amavam o marido e só precisavam viver uma experiência diferente diante de tanta monotonia? Mas claro, elas também podem perceber que é possível viver uma nova felicidade, um novo amor. Nada é certo, tudo é um risco.

É muito menos arriscado assumir a bi ou a homossexualidade aos 25 anos, como aconteceu comigo. Eu já nasci nessa época do preconceito “mal visto”. Como já disse no post anterior, eu não tinha nada a perder. Não era casada, não tinha filhos. Eu, sim, podia arriscar. A maturidade às vezes é uma faca de dois gumes. Ao mesmo tempo em que ela pode ajudar uma mulher a se assumir, pois ela já se conhece melhor, ela pode impedi-la de viver um grande amor e se arriscar.

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comentários
  1. Joana disse:

    Boa leitura a tua. Sim realmente com a idade dela e tendo em conta os filhos e tudo mais ela teria mais riscos a correr e enfrentou tudo. Adorei! :)) Tb acho que estarmos numa epoca em que cada x mais o preconceito é condenado e há mais abertura também ajuda. Mas ela foi muito corajosa sim. E viva o amor 🙂

  2. Veridiana disse:

    Parabéns pelo blog Amanda, passei a acompanhá-lo há alguns dias. Gosto muito do que vc escreve e como vc escreve. E parabéns pelo seu namoro, mulheres são encantadoras!

    Minha namorada fala que eu sou meio revolucionária quando o assunto é homossexualidade. Sou da área do Direito e, a partir do momento que tiver minha estabilidade profissional, passarei a debater e estudar nossos direitos, tentar fazer com que as pessoas enxerguem que a pessoa com quem se tem um relacionamento não altera seu caráter, entre outras coisas.
    No primeiro post da Daniela, salvo engano, vc fala que uma notícia como a que foi veiculada não deveria ter toda esta repercussão, pois deveria ser encarado como algo normal né? Compartilho da mesma opinião, mas às vezes a gente acaba se frustrando.
    Hoje mesmo, estava na faculdade conversando com algumas pessoas e este assunto acabou surgindo. Um rapaz pegou e falou que não vê razão para que os gays se casem, que ele não vai querer que seu filho veja homens ou mulheres se agarrando no meio da rua, etc. Minha amiga, que sabe de mim, imediatamente já me deu um cutucão, pois sabia que eu passaria horas articulando com o cara para, ao menos, tentar demonstrar que aquilo que ele tem como verdade absoluta pode não ser tão verdade assim.
    As pessoas não entenderem “como funciona” é compreensível, mas não precisa jogar aos sete ventos este preconceito tão batido, até porque é crime! Enfim, respeito é bom e todos, independentemente de sermos hetero ou homossexuais, merecemos!

    • blogsoubi disse:

      Obrigada, Veridiana! Fiquei feliz com seu comentário ! 🙂 Sobre o cara da tua faculdade, infelizmente muita gente pensa assim. Aliás, esse é o tema do meu próximo post que sai amanhã. As pessoas apenas fingem que não têm preconceito pra não ficarem “mal vistas”, mas no fundo elas ainda não encaram a ideia com naturalidade. Acho que toda essa mudança precisa começar por nós. Se a gente ficar mais confiante e tratar tudo isso de forma mais natural, conquistaremos o nosso espaço aos poucos. Beijos e espero que continue acompanhando!

      • Veridiana disse:

        Eu tenho grandes projetos para o futuro em me especializar nesta área, e não apenas no aspecto técnico, mas ajudar mesmo o pessoal que está se descobrindo, que tem problemas em casa (como eu tive e tenho). Parto daquele pressuposto de “ser a mudança que quero ver no mundo”. A gente acaba dando a cara para bater com esta exposição. Mas é o que digo sempre para a minha namorada: se o fulano que, inicialmente, pensa como meu colega de sala, talvez se ele tiver um bom exemplo do lado (como vc e sua namorada, eu e a minha gatona), deixe de ter a imagem generalizada de que gays não prestam.

        E vamos batalhando sempre por uma sociedade mais plural!

        Beijos!

      • blogsoubi disse:

        Que ótimo, Veridiana! Quando você se forma? Já estou ansiosa aguardando os seus projetos, rs. Mas o que você falou é verdade. Acho que bons exemplos podem influenciar positivamente. Beijos e até mais. Ps. Se tiver ideias pra novos posts, são sempre bem-vindas!

  3. Polly disse:

    Bom dia a todas!
    Só complementando, acho que o que aconteceu é que infelizmente muitas pessoas têm a imagem estereotipada do homossexual,como alguém vulgar e promíscuo e nós sabemos que não é bem assim, mas infelizmente muitos ainda se comportam com vulgaridade,por exemplo: conheci alguém que foi a uma parada gay e viu pessoas transando na frente de todos,bem, não acho que isso seja a forma de garantir algum direito. O que precisa mesmo é as pessoas saberem que ser homossexual não é sinônimo de falta de caráter,vulgaridade ou promiscuidade, que tem muita gente séria, digna,comprometida com o bem comum.E pra essa primeira impressão ruim mudar, depende de cada um dar o seu exemplo.
    Não estou aqui tentando dizer que só os homossexuais tem que ser sérios, pois o que não falta é hetero que defende a honra a família e a gente sabe que faz tudo que não presta,mas infelizmente parece que pra esses ninguém olha.

    Bjão a todos!!

  4. Bella disse:

    ola amanda e veridiana…quero dizer q tb faço direito e passo por alguns assuntos em sala e é triste ver como as pssoas encaram isso…uns dizem n ter preconceito,mas qnd cita-se q o caso pderia ser na sua casa,,,ae a casa cai!.rs…………a maioria é assim,até brinco dzendo q tds sofrem do mal do PRECONCEITO camuflado,,enfim …bjim pras duas,ou melhor,4 neh?..seus amores tb..♥

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