O dia em que fui a uma balada GLS sozinha

Publicado: 30 de julho de 2011 em Histórias reais
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Havia terminado com meu namorado recentemente e já havia ficado com algumas mulheres. Minhas amigas geralmente me acompanhavam nas baladas ou bares para tentar viver essa nova realidade.

Mas a maioria delas era heterossexual, ou pelo menos não tinha interesse naquele momento em se envolver com uma mulher. Fato: eu sabia que para elas não era um programa tão empolgante. E uma das minhas únicas amigas lésbicas começou a namorar e evitava um pouco esses ambientes – o que é absolutamente normal.

Então, lá estava eu, em um sábado à noite, sozinha, sem ninguém para ir comigo a uma balada GLS. E isso para uma pessoa como eu, é difícil. Pois sempre gosto de estar acompanhada. Nem no cinema já tinha me arriscado a ir sozinha (o que significa que para muitas meninas, ir a uma balada sozinha pode ser absolutamente normal).

Fiz a minha produção e saí de casa, ainda receosa sobre como seria a minha noite. Cheguei na porta e ela ainda estava vazia. Nem fila havia se formado. Havia apenas um menino gay, também sozinho. Começamos a conversar e ele me contou que tinha acabado de terminar com o namorado e precisava se distrair. Foi quando ele me perguntou: e você? Veio procurar menino ou menina? Eu disse: gosto dos dois, mas hoje o meu foco é mulher. Isso porque a balada gay é frequentada por muitos homens e mulheres heterossexuais (ou pelo menos que se dizem ser).

Entramos juntos e continuamos conversando. Ele era tímido, um fofo. Decidimos pegar uma bebida e fomos para a pista de dança, onde eu estava mais para ouvir do que dançar. Observei ao redor e nenhuma menina realmente me interessou. Algumas características em uma mulher não me agradam: vulgaridade e muita pose. Se a menina está lá, linda,  toda arrumada e achando que pode qualquer coisa, isso para mim já é um problema. É preciso ter simpatia, acima de tudo.

Fomos para outra pista, que estava mais cheia. Enquanto conversávamos, observei uma menina de longe. Ela sorriu e continuou olhando. Sorri também e esperei um pouco. Ela acenou com a mão e me chamou. Fui até ela e não trocamos uma palavra, só nos beijamos. Após alguns minutos de beijo e um gosto de cigarro que decidi desconsiderar, afinal, seria algo bem momentâneo, perguntei a ela o nome. Era o mesmo que o meu, se ela falou a verdade. Foi o nosso único diálogo. Pelo visto ela estava lá para “pontuar”, como costuma dizer uma amiga minha. Ou seja, quanto mais mulheres na noite, melhor. O que, convenhamos, talvez fosse meu objetivo também.

Depois disso, ajudei meu “novo amigo” tímido a ficar com um cara. Disse a eles que iria no banheiro, depois de tentar me desvencilhar de alguns homens que me abordavam quase me beijando. Um deles me disse em um sotaque bem carioca (sou de São Paulo): “Mas tu é gostosa hein, não vai me dizer que também gosta de mulher”. Não gostei da forma como ele falou. Ele disse que no Rio de Janeiro isso era normal. Discordei dele e o dispensei.

O banheiro estava um pouco lotado. Foi quando uma menina me abordou. Ela estava com uma câmera fotográfica e perguntou se eu poderia tirar uma foto dela. Depois de bater a foto, ela me olhou bem profundamente e perguntou: “Você é lésbica?”. Eu dei um sorriso e a beijei. Entramos em um dos banheiros e começamos a nos beijar mais. Uma voz masculina soou longe gritando um nome femino. Ela parou de me beijar e berrou em resposta: “Calma amor, eu já vou”. Perguntei:

– Você está acompanhada por um homem?
Ela respondeu sem graça: é meu namorado.
– Mas o que você estava fazendo aqui então?
– Olha, eu preciso ir lá, só me promete uma coisa?
– O que?
– Você vai me ligar? Meu número é esse, anota. Mas você me liga mesmo?
– Tá bom.

Ela saiu rapidamente e consegui ouvir um pouco da briga que se iniciou com o casal. Fiquei um pouco chocada. Ele a acusou de estar beijando uma mulher e ela negou. Decidi sair do banheiro sem olhar muito bem o desenrolar da cena. Nunca liguei. Ela teria de fazer o mesmo que eu: se descobrir e dedicir o que realmente queria.

Avistei uma garota que já tinha visto em outras baladas. Muito bonita. Loira, cabelo liso, olhos cor de mel. Parecia ter seus 24 anos, o que na época a faria um ano mais nova que eu (hoje tenho 26). Nos olhamos um pouco e resolvi abordá-la:

– Você é “hetero”?
– Sou, respondeu a garota timidamente (ela era bem tímida).

Fiquei um pouco constrangida, pois era a primeira vez que me arriscava a fazer aquilo e saí rapidamente dali. Depois disso desisti de me “relacionar” com qualquer outra garota do lugar. Sem contar que os homens não deixavam de insistir (não minto que a vida de heterossexual era mais “fácil”).

Após algum tempo, a mesma menina passou por mim e ficou me olhando. Achei aquilo estranho e virei para o lado. Sabia que aquela ação arruinaria qualquer chance de beijá-la. Ela era muito tímida e nunca tentaria uma investida. Mas achei melhor agir assim, até ela descobrir o que realmente queria. Quem sabe algum outro dia, pensei. Talvez fosse algo que um homem não faria, ela deve ter pensado.

blogsoubi@gmail.com

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comentários
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  2. Marina Ushoa disse:

    O Blog tá otimo!!! E a respeito dos cariocas, nunca fui em uma balada GLS… Mas o caras mais ridiculos agem dessa maneira mesmo, mas pq ELAS não se dão o respeito… E pra ser sincera, aqui no Rio todas as bisexuais que conheço são extremamente vulgares e piranhas (desculpa o termo mas é sério!), porisso fico na discrição como vc pq é a melhor coisa q eu faço, rs.
    Beijsss
    Mari ;*

  3. Kellen disse:

    Sou louca pra ir em uma balda GLS,mais só tenho amigas héteros também!

  4. Cara Comum disse:

    Bom, o mundo das lésbicas é algo novo a ser explorado para mim. Te desejo sorte por aí, ok?? Abraços!!

  5. Rayssa disse:

    Adoro Muito Vim Aqui é Ler Suas Historias Faz Sentir Como Se Fosse Mais Fácil (=, Boa Sorte Nas Suas…Digamos “Aventuras”, hushasuha, Bj’s =*

  6. Dany disse:

    Anjo, sobre essa mulher q parecia indecisa, não querendo me meter, mas as vezes ela estava dividida entre vc e o namorado, ou queria os dois, mas sabia q talve ela teria q fazer uma escolha e eliminar uma coisa, mas ficou sem saber o q fazer!! As vezes ela até queria sim ficar com vc, mas por medo do namorado n deixar ou medo de magoar ela deu pra trás, até pq resolvue passar o numero dela pra vc!! Mas como vc já tinha uma postura mais firme de somente querer mulheres preferiu sair fora!

  7. Cristina disse:

    Poxa, meu dilema hoje é exatamente esse… saio sozinha ou não para uma balada? Depois de ler seu texto… deu mais vontade. Obrigada pela ajuda. 😉 Beijos

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